Tratamento mental sem internação aumenta recuperação de pacientes


7 de abril de 2011 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Saúde



Oficinas ajudam no tratamento de dependentes químicos. (Foto: José Aparecido dos Santos)

Os resultados positivos dos trabalhos desenvolvidos pela rede de tratamento de pacientes com transtornos mentais e de dependentes químicos tem chamado atenção em Jundiaí. O Centro Especializado no Tratamento de Dependência de Álcool e Drogas (CEAD), por exemplo, registra cerca de 60% de recuperação dos pacientes. Segundo o padre Haroldo, em palestra realizada recentemente na Câmara Municipal de Jundiaí, na comunidade terapêutica mantida por ele, a recuperação é de 30%. De acordo com a Secretaria de Saúde, o princípio da desospitalização de pacientes com a inserção em serviços substitutivos, proposto em 2001 pela Lei 10.216, é um dos responsáveis pelos índices observados. Confira mais fotos no final do artigo.

Para a secretária municipal de Saúde, Tânia Pupo, a abordagem em saúde mental deve ser feita em várias vertentes, a fim de assegurar a reabilitação dos pacientes. “É necessário uma política de saúde mental que atenda ao ciclo vital da pessoa”, disse a secretária. “Neste sentido, reforçamos a proposta de intersetorialidade, ou seja, a união de diversos departamentos para oferecer um atendimento global e efetivo”.

A rede de atendimento da Secretaria conta com quatro unidades que prestam serviços coordenados, de acordo com a proposta definida pelo Ministério da Saúde. São três CAPS – Centros de Atenção Psicossocial (Adulto, Infantil e Álcool e Drogas), além do Ambulatório de Saúde Mental. Entre os serviços acessados pelos pacientes via unidade de saúde estão os atendimentos médico, enfermagem, acompanhamento com assistente social, terapeuta ocupacional e psicólogo, além de oficinas terapêuticas que contribuem para a reinserção social.

O fato de o tema ser abordado pelas três esferas do poder público – federal, estadual e municipal – tem contribuído substancialmente para efetividade das ações. “O tema foi colocado em pauta, inclusive, no último congresso de secretários municipais de Saúde do Estado de São Paulo, com foco no co-financiamento dos serviços por parte do Governo de Estado”, enfatizou Tânia Pupo. Atualmente, os serviços oferecidos na cidade são custeados com recursos do Ministério da Saúde e Prefeitura de Jundiaí, que complementa a verba para garantir o atendimento da demanda.

Álcool e Drogas
Na linha de cuidados em saúde mental está inserido o atendimento para usuários de álcool e outras drogas, seguindo as diretrizes da Reforma Psiquiátrica. A partir de convênio da Prefeitura com o Centro Especializado no Tratamento de Dependência de Álcool e Drogas (CEAD), é possível oferecer no local atendimento aos dependentes químicos a partir de 15 anos de idade.

Segundo a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Leila Miguel, o convênio, que previa o atendimento a 205 pessoas, foi ampliado e hoje atende 350, o que permitiu zerar a fila de espera. No CAPS/CEAD, os pacientes contam com um plano de tratamento individualizado. O acompanhamento pode ser intensivo, com frequência diária; semi-intensivo, com atendimento três vezes na semana; não intensivo, quando o paciente comparece no local três vezes por mês; e o noturno, para pacientes que trabalham e frequentam o local oito vezes no mês.

De acordo com a coordenadora do CEAD, Regina Bichara Rossi, a maior parte dos pacientes é usuária de álcool. Entretanto, dependentes de outras drogas, como crack, maconha e cocaína, também são atendidos e os resultados são satisfatórios. O local registra cerca de 60% de recuperação dos pacientes. “A dependência é uma doença e as pessoas precisam compreender a dificuldade da recuperação. Mesmo assim, temos um bom índice”, ressaltou a coordenadora. Em clínicas e comunidades terapêuticas, que prevêem a internação de dependentes químicos, o índice de recuperação é de cerca de 30%.

Helder Fernandes do Carmo, de 43 anos, começou a usar drogas aos 16 anos e passou por clínicas e hospitais até ser atendido no CEAD. “Aqui, me encontrei. Foi meu chão. Tenho orientação, apoio, consigo colocar minha cabeça em ordem”, avaliou Helder.

CAPS Adulto e Infantil
Iva Cláudia de Souza Pereira, 31 anos, frequentou o CAPS Adulto por três anos, teve alta e passou a ter uma vida normal. Recentemente entrou em crise e precisou retornar ao tratamento. “Quando passei a frequentar o CAPS voltei a estudar, minha vida passou a ter mais sentido. Precisei retornar, mas vou sair dessa novamente”, acredita Iva.

Os CAPS Adulto e Infantil são estruturados para atendimento de pacientes com transtornos mentais de moderados a graves. O CAPS Adulto conta com cerca de 500 pessoas em atendimento, com acompanhamentos intensivos, semi-intensivos e não intensivos.

De acordo com Leila Miguel, os pacientes contam com atendimento multiprofissional e atividades voltadas à reinserção na sociedade e autonomia. Além disso, a equipe percorre unidades de saúde (UBS e PSF) para capacitar profissionais e finalizar o atendimento no próprio local. “É o matriciamento. Com isso, cerca de 500 pacientes deixaram de ser encaminhados para o serviço de saúde mental e finalizaram o atendimento na própria unidade”, explicou Leila Miguel.

No CAPS Infantil são atendidas crianças e adolescentes com transtornos mentais até 18 anos de idade. O local também oferece atendimento para usuários de álcool e drogas com até 15 anos de idade. Atualmente são cerca de 140 prontuários ativos, com registro de 30 novos casos por semana. O encaminhamento também é feito via unidade de saúde.

De volta pra casa
Em todos os serviços, os pacientes passam por acompanhamento durante o dia e retornam para casa, onde mantém o convívio familiar. O trabalho com a família faz parte do tratamento nas unidades de atendimento e a inserção social e no mercado de trabalho também. Leila entende que a internação é necessária em alguns casos de maior gravidade, mas o atendimento dia, que possibilita o retorno ao lar diariamente, é mais eficaz para a recuperação. “A internação se faz necessária quando os recursos extra-hospitalares se mostraram insuficientes. Neste caso, a pessoa precisa de internação até ser estabilizada, o que demora cerca de 20 a 30 dias”.

Para pacientes em surto, Jundiaí conta com dois leitos no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo e Hospital Universitário. Além disso há cinco leitos para pacientes do CAPS Adulto para situações de desestabilização. Quando necessária a internação, eles são encaminhados para clínicas em Amparo, Indaiatuba ou Americana, segundo a Central de Regulação coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde.

Os serviços em Jundiaí serão complementados com a criação de duas residências terapêuticas, que tem a proposta de acolher pacientes internados em hospitais psiquiátricos e reinserí-los na sociedade. Também está em andamento a construção de um centro de convivência.


Notícia: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Jundiaí.

Comentários
  1. Vani disse em 4 de outubro de 2011 16h35:

    Boa tarde!

    Meu marido iniciou o tratamento de alcoolismo, hoje fazem 16 dia que ele não bebe. Começou o tratamento com um psiquiatra que inicia com medicação muito forte, e o meu marido acabou sendo internado, pois não acordava para nada ( higiene, alimentação, e começou ter alucinações. No no pronto atendimento foram realizado alguns exames( estava com as plaquetas baixa – 85, sangramento pela boca e sangue na urina, a pressão arterial chegou a 19. Ficou internado no H.U. por 4 dias, foi medicado com soro…, vitamina K, “ferro” pois esta com anemia.Nestes 4 dias ele lembra muito pouco do que aconteceu, devido a medicação do psiquiatra.
    Saindo de lá uma especialista em dependência química foi indicada. Comessamos com o novo tratamento, até o momento não teve efeito colateral. Gostaria de saber se ele e a família tem direito de acompanhamento, com o convenio da prefeitura de Jundiaí.

    Desde já agradeço a atenção.

    Vani