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22 de agosto de 2011 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Voto Consciente


Qual o seu sonho para Jundiaí?

Qual o seu sonho para Jundiaí?Assumi para mim mesma, recentemente, um sentimento de quase-humilhação que tenho ao passar em frente às lojas Kopenhagen: sempre tive vontade de comer aqueles chocolates, mas como meus pais me diziam que é uma loja cara e que a gente jamais poderia comer daquilo, eu nunca entrei, com vergonha até mesmo de perguntar o preço das coisas!

Com as “coisas públicas”, o constrangimento é bem parecido e generalizado. Passei a notá-lo depois de uma Sessão Ordinária que acompanhei, em 2008, na Câmara Municipal de Jundiaí, onde existe uma plateia com uns 60 assentos, separada do plenário onde os nossos representantes (que verbo usar?) legislam. Alguns meros mortais aproveitam a Sessão Ordinária para pedir favores aos vereadores: foi o caso de uma mulher que me perguntou, por eu estar sentada perto da entrada:

– Moça, eu posso sentar aqui?

Meus olhos se encheram de água e eu nem pude gritar para essa mulher: “sim, você pode, você deve se sentar e prestar atenção ao que os vereadores estão fazendo, e deve contar isso aos seus vizinhos, porque dentre outras razões, seus impostos vêm prá cá e para um monte de lugares que esses caras aí escolhem, e é também culpa deles você ter que vir pedir favores!”. Respondi “sim, claro”, tendo em mente que depois daquele dia, eu não poderia parar de fazer o que aprendi no Voto Consciente, que hoje formulo assim: lembrar aos cidadãos que eles são cidadonos e fazer isso ser entendido por empresas e poder público.

Desde então, não sei quantas vezes já respondi baixinho “sim, claro” a amigos, a familiares e a mim mesma quanto às barreiras silenciosas ou ditas de boca cheia pelo poder público jundiaiense. Agora, sinto que é a vez de esse poder público – com suas câmaras, secretarias, bibliotecas, praças e teatros muito pouco acessíveis –, é a vez da iniciativa privada – com suas Kopenhagens endinheiradas –, e é também a vez de cidadãos que ainda não se sentem donos da res publica dizerem “sim, claro” ao que os 3500 cidadonos jundiaienses articularam para Jundiaí nesses últimos meses.

Estar presente no dia 26 de Agosto de 2011, data da Premiação das 12 ideias vencedoras do Concurso Cidadonos, bem como viabilizar a implementação dessas ideias nos meses que se seguem, são atitudes que ecoam Oswald de Andrade: “a massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico”. Agora, se eu comereiKopenhagen um dia, já não faz tanta diferença.

Por: Patricia Anette Voluntária do Voto Consciente Jundiaí desde 2007. Colabora com o Cineclube Consciência e estuda Letras na Universidade de São Paulo.

Comentários
  1. Mariana Benatti disse em 22 de agosto de 2011 21h24:

    Você me inspira, Pat! O texto está incrível.

  2. Burns disse em 26 de agosto de 2011 2h29:

    Excelente texto, é incrível como ainda temos que conviver com a idéia de que uma sessão plenária é um lugar inacessível aos “meros mortais”. Somente muita ação social é capaz de mudar a mentalidade um tanto quanto oprimida da grande parte da população, não só de Jundiaí como de todo Brasil.

    Parabéns pelo texto.

  3. Alves disse em 10 de setembro de 2011 14h44:

    Excelente seu texto, parabéns!
    Meu sonho é que essa cidade, ainda tão pequenina, deixe de negligenciar os animais abandonados como se fossem lixo e começassem uma política pública decente, respeitando os animais que aqui vivem.
    Chega de Prefeito se isolando dos cidadãos como se rei fosse, chega de políticos esbravejando que fazem e acontecem e, na realidade, só falam.
    Pagamos impostos e temos o dever de cobrar respeito pelos animais desta cidade!
    Nós podemos falar e cobrar, mas os animais dependem da nossa voz, assim como as crianças que não aprenderam a falar ainda, mas que já sentem fome de justiça!
    Sonia