Adaptações


9 de junho de 2011 Facebook Twitter LinkedIn Google+ Nerds falam sobre...



Adaptação. A palavra temida por quase todos os nerds que podem dizer que são “fãs” de algum livro, ou anime ou desenho. Com a visível queda de criatividade em Hollywood, os estúdios vêm se voltado cada vez para outras fontes de histórias e as adequando na linguagem cinematográfica, com resultados variados.
Enquanto algumas adaptações são amadas pelos fãs (Homem-Aranha), outras são no mínimo, desprezadas (Quarteto Fantástico). Mas o que faz realmente uma adaptação ser considerada bem sucedida pelos fãs, e ainda por cima conseguir respeito tanto do público casual quanto dos críticos de cinema? Pra exemplificar, usarei os filmes citados acima.

Muita cor para pouco roteiro.

No caso do Quarteto, os quadrinhos são considerados uma das principais criações do gênio da Marvel Comics, Stan Lee. A premissa dele se baseia em que quatro pessoas banhadas em radiação espacial que ganham poderes extraordinários e diferentes. As história do Sr. Fantástico, Tocha Humana, Mulher Invisível e Coisa cativaram os leitores com sua mistura de aventura, ação e ficção, onde frequentemente o Quarteto era colocado contra inimigos vindos dos mais remotos cantos do espaço, incluindo aí o terrível Devorador de Mundos, Galactus e seu arauto, o Surfista Prateado. Sem contar no Dr. Destino, um dos vilões mais cruéis do universo Marvel que governa com mão de ferro um país próprio chamado Latvéria e quer derrotar o Quarteto a todo custo. As histórias envolviam aventuras incríveis que levavam os leitores ao delírio, mas sem perder o foco nas personalidades dos personagens.

Quando o filme saiu, os fãs esperavam uma história com muita ação e aventura, personagens bem desenvolvidos e carismáticos que criassem alguma identificação com a platéia. Mas quando saí da sala, pensei ter visto um filme de comédia baseado no Quarteto. Não estava ali a ação e aventura que queríamos, ou as épicas batalhas cósmicas entre o Quarteto e o Dr. Destino, e nem mesmo o Surfista Prateado é mencionado (embora ele aparecesse com bastante destaque no filme posterior). Os personagens ficaram chatos, o humor não funciona e ação cai no clichê. Resultado: foi bem de bilheteria, mas de crítica e público foi bastante mal sucedido porque os produtores não se preocuparam em capturar a essência do gibi.

Cartaz desperta interesse pelo filme.

Já o completo oposto acontece em Homem-Aranha. O gibi mostra que até mesmo um cara comum pode ser um super herói (se você der a sorte ou azar de ser picado por uma aranha radioativa) e o filme ecoa esse tema de forma perfeita. Está ali o desenvolvimento dos personagens, o humor, e a ação. Mas a ação funciona pois é possível criar um vínculo com o personagem. Para os fãs, é uma oportunidade de ver o seu herói preferido em movimento no cinema assim como ele o lê no gibi. Para o público é uma oportunidade de saber mais sobre o herói e procurar a fonte de original de inspiração do personagem: os quadrinhos.

Uma adaptação para o cinema de super heróis deve gerar interesse do espectador pelo gibi original, e não o contrário.

Semana que vem nos vemos de novo da coluna nerd d’O Jundiaense!

Vida Longa e Próspera!

Comentários
  1. Renan Martins disse em 9 de junho de 2011 18h37:

    Gostei da análise feita. Mas sobre o personagem Homem-Aranha o filme é totalmente destruidor da personalidade. Ele não faz uma piada sequer, nem ao mesmo um trocadilho. Isso deixo a desejar nos três filmes. Fora que o Peter Park não é um tremendo idiota como parece ser no filme. Quem lê os clássicos conhece. E eu sei o Gustavo conhece.

  2. Leo Luz disse em 9 de junho de 2011 21h04:

    Acho que eu sou o único ser vivo na Terra que gostou de Quarteto. Não sei, mas para mim a essencia do filme é aquela comédia sem freio que o filme se faz.

    Homem Aranha realmente é um dos melhores filmes de super-heróis já feitos, porém, gosto mais do 2º do que o primeiro.

  3. Tiago disse em 10 de junho de 2011 12h52:

    Homem Aranha abriu caminho para as boas adaptações. Sim, tivemos as ruins, como Hulk, e Quarteto, mas na minha opinião as ultimas adaptações estão mandando bem, desde Homem de Ferro a X-men.

    Belo texto

  4. Juliano Ajamil disse em 13 de junho de 2011 12h23:

    Penso que ao assistir uma adaptação temos que ter em mente que muitas vezes não é possível transpor para as telonas uma obra extensa como O Senhor dos Anéis, por exemplo, sem perder alguma coisa. E mesmo que milhões de pessoas que leram os livros —eu incluso— achem que os filmes ficaram excelentes, sempre haverá aqueles fã(nático)s bobalhões que dizem que a obra escrita é infinitamente melhor. Como se ninguém soubesse disso.

    Em matéria de quadrinhos, é claro que algumas adaptações ficaram ruins, mas há outras que ficaram muito boas. V de Vingança, por exemplo. V é tão sagaz, sarcástico e implacável quanto na novela original. Eu já assisti o filme umas 10 vezes (ou mais) e ainda assistirei muitas outras.

    Enfim, tem muita gente que precisa apurar o senso crítico antes de sair criticando (duh!) tudo e todos por aí.

    Abraço!